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Como fazer uma Curva ABC (Pareto): exemplo prático

Hoje vamos fazer uma Curva ABC ou Diagrama de Pareto com um exemplo prático e simples. Então, se você caiu de paraquedas nesse artigo, eu recomendo fortemente que você primeiro leia este outro artigo que eu escrevi com toda fundamentação sobre esta ferramenta gerencial.

Portanto, o ideal é que você já quais são os graus de concentração de uma curva ABC, o corolário de Pareto, bem como as aplicabilidades, antes de continuar esta leitura.

Estamos acertados? Pois, agora, vamos ao que interessa!

Fazendo uma Curva ABC: exemplo

O nosso exemplo consiste em uma obra de implementação de sistema de abastecimento de água. Ao todo, o orçamento sintético foi composto por 90 pacotes de trabalhos juntamente com seus respetivos custos totais.

Entretanto, por uma questão de praticidade, vou apresentar a você apenas o segundo nível (primeiro nível de decomposição) da nossa EAP. Ou seja, as fases que estabelecem o ciclo de vida de nosso projeto. Portanto, as imagens apresentadas serão apenas um resumo dos serviços realizados.

Para fazer uma curva ABC ou diagrama de Pareto, nós contaremos com seis etapas bem tranquilas. Sério, quando eu falo “tranquilas”, eu quero dizer tranquilas mesmo!

Etapa 1 – definir os dados de estudo

Certo, meus queridos. O primeiro passo para a construção de uma curva ABC (Pareto) é a definição de quais dados queremos analisar. Isso porque existem curvas ABC para as mais diversas situações.

Podemos utilizá-la para fazer estudo de clientes (ou stakeholders), para categorização de insumos, para estudo de participação ou produtividade (ex: 20% da equipe que faça 80% das tarefas), avaliação de impactos, controle de estoque, avaliação dos custos etc. Assim, cabe a você saber quais dados quer avaliar.

No nosso caso, vou fazer um estudo sobre o custo de cada etapa. Ou seja, meu objetivo é saber em qual das fases eu vou gastar mais dinheiro para, a partir daí, iniciar minhas tomadas de decisão a fim de reduzir nossos custos.

Curva ABC - atividades
“Primeiro passo, é muito fácil” ♪ ♫

Etapa 2 – ordenar os valores

Pronto! Agora, vamos simplesmente ordenar nossos dados em ordem decrescente – ou seja, do mais caro para o mais barato. Então, repare que agora sabemos que nossa atividade mais onerosa será o “Poço Tubular – 150 M”, que consiste em tarefas como perfuração, revestimento e complementação, perfilagem, desenvolvimento, limpeza, testes, desinfecção e outros complementos.

Essa ordenação nos permitirá determinar qual o número mínimo possível de atividades que irão impactar ao máximo em nosso estudo.

Veja a imagem abaixo

Etapa 3 – Somatório acumulado

Tá vendo como eu não estava mentindo para você? Até o momento, está tudo bem tranquilo, e eu prometo que continuará assim. Bem, nosso próximo passo consiste no cálculo cumulativo de nossos custos (soma do valor atual com o valor apresentado na linha superior a este).

– Mas por quê, João?

É simples, meus amigos. Em Estatística, os somatórios cumulativos servem para nos dar a dimensão de participação de um conjunto de dados. Calma, vou explicar melhor.

Ao ordenarmos os valores do maior para o menor, temos uma primeira categorização: nós colocamos os maiores impactos financeiros no topo. Então, ao fazermos a soma cumulativa, podemos visualizar melhor quanto eu gastaria de um serviço até o outro. E é este estudo do “até” que nos importa aqui.

Veja a imagem abaixo.

Com o somatório cumulativo, eu consigo afirmar que “Poço tubular – 150 m” e “Rede de distribuição” são responsáveis por R$ 84.243,98 de toda a obra. Agora, se eu quiser incluir neste conjunto a “torre elevada”, basta olhar para a linha referente ao seu custo acumulado.

Portanto, essas três atividades, juntas, equivalem a R$ 107.721,96. Beeeem, fácil, ?

Etapa 4 – Porcentagem do somatório acumulado

Tendo dimensão dos custos cumulativos, agora vamos avaliar a participação de cada grupo etapa em todo o projeto. Logo, vamos dividir o total acumulado de cada linha pelo valor total da obra (R$ 166.223,35). Então, faremos o seguinte:

A primeira linha nos diz que apenas o “Poço Tubular – 150 m” corresponde a 35,60% de todo o custo da obra. Em seguida, vamos adicionar o item seguinte: “Rede de distribuição”.

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Com isso, agora eu vejo que as minhas duas etapas MAIS CARAS (por isso que nós ordenamos do maior para o menor) equivalem a 50,68% de toda minha obra. Logo, metade de tudo o que eu investirei na minha execução têm origem apenas em 02 fases, de um total de 12.

Sim, de todas as nossas DOZE etapas, apenas duas corresponde a mais da metade dos custos.

Então, seguiremos fazendo o mesmo procedimento até chegarmos a 100%.

Etapa 5 – Definindo SUA classificação ABC

Para o meu exemplo, vou classificar com os valores A=50%, B=30% e C=20%. Assim, dividiremos nossas atividades por nível de impacto; sendo as atividades classificadas como “A” aquelas que nos importam de fato.

Entenda uma coisa: essa classificação não representa apenas a participação das atividades. Ou seja, quando eu falo em A=50%, eu não estou simplesmente afirmando que estes serviços equivalem a 50% da obra. Mas sim que estes serviços são os 50% QUE MAIS IMPACTAM na obra. Estamos entendidos?

– Mas João, por que você escolheu 50%, 30% e 20% na sua classificação ABC?

Simples. Porque eu quis, meus amigos. 🙂

A adoção das faixas é discricionária. Portanto, ela será definida pelo gestor/administrador que realiza a análise com base na sua experiência e bom senso. Caso queira, pode seguir o padrão adotado neste exemplo sem problemas.

curva ABC - exemplo prático

– Opa, João! Vi que “Rede de distribuição” entrou na categoria B ali! Ela, juntamente com “Poço tubular”, somou mais da metade. Por que isso?

O motivo é simples. Lembre-se que a soma acumulada nos fornece um estudo do “até”. Portanto, “Poço tubular” é a única atividade que pode contribuir com até no máximo 50% do valor total da obra. Assim, quando incluímos o item seguinte, esse valor máximo é superado por 0,68%.

Etapa 6 – Fazer representação Gráfica

Por fim, apenas geramos um gráfico para o nosso relatório final. Pronto, é assim que fazemos a curva ABC do nosso exemplo.

Gráfico ABC

Considerações finais

Por fim, gostaria de ressaltar a importância que esse estudo tem dentro de uma obra. Entretanto, infelizmente, sua utilização vem sendo ignorada por muitos engenheiros. Por isso existe tanta dor de cabeça!

Se você tem interesse em se aprofundar neste assunto, recomendo o livro do Limmer e o livro do Aldo Dórea.

Espero que tenha gostado deste exemplo de como fazer uma curva ABC. Por enquanto, fico por aqui e te vejo na próxima

 

Abraços do João!

Até a próxima

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