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Abatimento do tronco de cone (Slump Test)

O slump test, ou ensaio de abatimento de tronco de cone, é um dos ensaios mais importantes dentro do controle tecnológico do concreto. Isso porque ele serve e parâmetro para o estudo da trabalhabilidade e consistência do concreto que será utilizado em obra.

Cada etapa de uma obra pode exigir diferentes valores de slump, cabendo ao engenheiro fazer esse controle de verificação e garantia.

Por exemplo, se vamos utilizar um concreto bombeável para a laje do 8º andar de uma edificação, por óbvio devemos ter um abatimento (slump) maior do que o usado para o contrapiso do 1º pavimento. Por isso, chega de papo e vamos para a parte que importa.

O slump test (ensio de abatimento) no controle de recebimento do concreto

Dentre os casos mais comuns em que lançamos mão do ensiaio de abatimento de tronco de cone (slump test) no dia a dia da Contrução Civil, podemos citar o controle de recebimento do concreto usanado. Ou, ainda, durante a produção do concreto em betoneiras estacionárias.

No caso de utilização de concreto usinado, devem ser seguidas as diversas recomendações a partir da chegada do caminhão-betoneira na obra. São algumas delas:

a) Fazer a verificação do horário de chegada e do horário de saída do caminhão-betoneira;

b) Proceder à conferência do lacre do caminhão-betoneira, comparando-o com o código da nota;

c) Verificar as especificações técnicas do concreto pedido, tais como o traço, a quantidade de água disponível e o valor de abatimento que consta na nota fiscal;

d) Finalmente, iremos proceder ao ensaio de abatimento de tronco de cone (slump test) a fim de constatar se o abatimento apresentado pela concreteira está de acordo com o obtido.

OBS:

O slump-test (abatimento do tronco de cone) necessita, obrigatoriamente, ser conferido no inicio da descarga (para a liberação do concreto). Ainda, antes da moldagem dos corpos-de-prova, pode o slump test ser novamente verificado.

A NBR NM 65 especifica um método para determinar a consistência do concreto fresco através da medida de seu assentamento, em laboratório e obra. Esta é a norma que vamos utilizar como referência.

Mas qual o alcance dessa norma, João?

O método é aplicável aos concretos plásticos e coesivos que apresentem um assentamento igual ou superior a 10 mm, como resultado do ensaio realizado de acordo com esta Norma. O método não se aplica a concreto cujo agregado graúdo apresente dimensão nominal máxima superior a 37,5 mm.

Ainda, quando a dimensão nominal máxima do agregado for superior a 37,5 mm, o ensaio deve ser realizado sobre a fração do concreto que passa pela peneira de 37,5 mm, obtida de acordo com a NM 36.

Agora, apenas nos resta aprender como esse ensaio é feito e quais os materiais necessários.

Ensaio de abatimento (Slump test): aparelhagem

a) Molde:

Feito de metal não facilmente atacável pela pasta de cimento, com espessura igual ou superior a 1,5 mm. O molde pode ser confeccionado com ou sem costura, porém seu interior deve ser liso e livre de protuberâncias criadas por rebites, parafusos, soldas e dobraduras.

molde cônico
molde cônico

O molde deve ter a forma de um tronco de cone oco, com as seguintes dimensões internas:

  • diâmetro da base inferior: 200 mm ± 2 mm;
  • diâmetro da base superior: 100 mm ± 2 mm;
  • altura: 300 mm ± 2 mm.

b) Haste:

De seção circular, reta, feita de aço ou outro material adequado, com diâmetro de 16 mm (5/8’’), comprimento de 600 mm e extremidades arredondadas.

haste (soquete)
haste (soquete)

c) Placa da base:

Para apoio do molde; deve ser metálica, plana, quadrada ou retangular, com lados de dimensão não inferior a 500 mm e espessura igual ou superior a 3 mm.

Ensaio de abatimento (Slump test): procedimento

1) PRIMEIRO PASSO: preenchimento do molde

Conforme se extrai do item 5.1 da NM 65, devemos primeiramente umedecer o molde (cone) e a placa de base. Durante o preenchimento do molde com o concreto de ensaio, o operador deve se posicionar com os pés sobre as aletas do molde, de forma a mantê-lo estável.

Então, deve-se encher rapidamente o molde com o concreto coletado, em três camadas, cada uma com aproximadamente um terço da altura do molde compactado.

2) SEGUNDO PASSO: aplicação de golpes

Logo após, devemos compactar cada camada com 25 golpes da haste de socamento, distribuindo uniformemente os golpes sobre a seção de cada camada.

Ainda, conforme a norma nos diz, para a compactação da camada inferior, é necessário inclinar levemente a haste e efetuar cerca de metade dos golpes em forma de espiral até o centro. Compactar a camada inferior em toda a sua espessura.

Por fim, compactar a segunda camada e a camada superior, cada uma através de toda sua espessura e de forma que os golpes apenas penetrem na camada anterior. O mesmo deve ser seguido para a terceira camada preenchida, devendo o topo do molde ser rasado, caso haja excesso.

3) TERCEIRO PASSO: levantamento do molde

Limpar a placa de base e retirar o molde do concreto, levantando-o cuidadosamente na direção vertical. A operação de retirar o molde deve ser realizada em 5 s a 10 s, com um movimento constante para cima, sem submeter o concreto a movimentos de torção lateral.

A operação completa, desde o início de preenchimento do molde com concreto até sua retirada, deve ser realizada sem interrupções e completar-se em um intervalo de 150 s. Por fim, frisa-se que a duração total do ensaio deve ser de no máximo 5 min, desde a coleta da amostra até o desmolde (final do ensaio).

4) QUARTO PASSO: conferir o abatimento (slump)

Imediatamente após a retirada do molde, medir o abatimento do concreto, determinando a diferença entre a altura do molde e a altura do eixo do corpo-de-prova, que corresponde à altura média do corpo-de-prova desmoldado, aproximando aos 5 mm mais próximos.

medição de abatimento
medição de abatimento

Tipos de abatimento

Existem três formas de abatimento. O abatimento verdadeiro, quando o concreto se abate uniforme e simetricamente. O segundo é conhecido como abatimento cortante, no qual uma das metades do cone de concreto desliza uma em relação a outra segundo um plano inclinado.

O terceiro é conhecido como abatimento com desagregação. Geralmente, os abatimentos cortantes e com desagregação decorrem de concretos muito úmidos e pobres.

Tipos de slump

Por fim, caso venha ocorrer um abatimento cortado, é necessário efetuar um novo teste. Caso se repita o corte, provavelmente isso será devido à composição da mistura ou à forma com a qual o teste foi realizado. Abatimentos cortados muito frequentemente sugerem um reestudo da dosagem na mistura. (YAZIGI, 2011).

Um aumento do abatimento pode indicar, por exemplo, que o teor de umidade dos agregados apresentou uma elevação inesperada. Além disso, outra causa pode ser uma alteração na granulometria dos agregados, como uma deficiência de areia.

Um abatimento muito alto ou muito baixo dá um aviso imediato e permite que o operador corrija a situação. A aplicabilidade do ensaio de abatimento, bem como sua simplicidade, é responsáveis pelo seu uso disseminado.

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