Classificação dos solos

Filipe Marinho Geotecnia Deixe um Comentário

Você já deve ter ouvido falar sobre solo arenoargiloso ou argila siltoarenosa. Mas afinal, como nós classificamos os solos?

Bem, nesse post você aprenderá tudo sobre vários sistemas de classificação dos solos.

Prometo que ao final desse post você entenderá a importância de uma correta classificação do solo, bem como, saberá classificar o solo nos sistemas mais utilizados aqui no Brasil.

Então, sem mais delongas, vamos ao conteúdo!

Por que classificar os solos?

Você sabe que há uma diversidade incontáveis de tipos de solo, cada qual com suas características próprias.

Então, surge a necessidade de separá-los em grupos de solos, de acordo com características geotécnicas semelhantes entre si.

Além disso, essa classificação deve se dar a partir de ensaios e procedimentos simples, para que se torne algo automático e facilmente padronizado.

De maneira geral, podemos dizer a classificação dos solos permite simplificar a resolução de alguns problemas, além de servir como base na seleção de determinado solo para certa função.

Então, foram criados sistemas para classificar o solo a partir de determinadas características.

Adiante, daremos ênfase em sistemas de classificações baseados no tamanho das partículas do solo, além de características visuais e tácteis e parâmetros geométricos do solo.

A seguir, será apresentado o resumo dos seguintes sistemas de classificação dos solos:

  • Classificação textural;
  • Sistema unificado (S.U.C.S.)
  • Classificação H.R.B.
  • Sistema Trilinear

Classificação textural

O sistema de classificação textural é o mais simples, mas é muito utilizada na prática, justamente por tal facilidade.

Tal sistema faz uso apenas da curva granulométrica do solo, que é obtida através do ensaio de granulometria.

Para melhor entendimento, vamos considerar o exemplo do solo abaixo.

Fração Porcentagem (%)
Pedregulho 5
Areia Grossa 65 5
Média 15
Fina 45
Silte 25
Argila 5

Perceba que podemos obter esses valores apenas coma curva granulométrica da amostra de solo.

Agora, veja como é simples a classificação textural.

Basta nos atentarmos que a amostra é predominante de areia (principalmente fina) e de silte.

Logo, podemos dizer que se trata de uma areia fina siltosa.

Ainda podemos ter a presença de duas frações de solo que não são predominantes, mas apresentam porcentagens bem parecidas na composição de solo, podemos citar ambas na classificação do solo.

Por exemplo, se no exemplo apresentado acima, silte e argila apresentassem valores próximos a 17% da composição do solo, poderíamos denominar o mesmo como areia silto-argilosa ou areia argilo-siltosa.

Lembrando que os nomes que ficam a frente são sempre os das frações de solo que apresentam maior porcentagem na composição do mesmo.

Viu como é simples? =)

Sistema unificado (S.U.C.S.)

Esse sistema de classificação dos solos foi proposto pelo prof. Casagrande e atualmente é bastante utilizado principalmente na área de barragens de terra.

Nesse sistema, os solos são denominados por duas letras. A primeira letra representa o principal tipo de solo e a segunda letra caracteriza tal tipo. Abaixo, apresentamos um quadro com a nomenclatura utilizada nesse sistema.

Terminologia do Sistema Unificado
G Pedregulho
S Areia
M Silte
C Argila
O Solo orgânico
W Bem graduado
P Mal graduado
H Alta compressibilidade
L Baixa compressibilidade
Pt Turfas

Para a classificação de solo no S.U.C.S. você deve utilizar um pequeno fluxograma de verificações.

Então, vamos apresentar o passo a passo dessas verificações e, por fim, apresentar o fluxograma resumo.

Solos granulares

Como parâmetro para determinar se um solo será de granulometria grosseira ou fina, é utilizado o ensaio de granulometria.

Caso mais de 50% da amostra passe pela peneira #200 (0,075 mm), o solo será considerado fino (M, C ou O). Porém, se mais de 50% da amostra não passar dessa peneira, teremos um solo de granulação grosseira, ou seja, granulares (G ou S).

Está entendendo até o momento? Agora as condições começam a ser mais específicas!

Para os solos granulares, primeiramente precisamos determinar qual deles tem a maior porcentagem na amostra: pedregulho ou areia?

Respondida essa pergunta, já saberemos que se trata de um solo G (pedregulho) ou S (areia)!

Agora precisamos determinar a característica secundária para classificar esse solo corretamente.

A partir daí, podemos ter três situações:

  1. A amostra possui menos de 5% de finos na composição: nesse caso, como a porcentagem de finos é ínfima, devemos classificar o solo como mal graduado (P) o bem graduado (W). Para o solo ser considerado bem graduado, deve possuir coeficiente de uniformidade (Cu) maior que 4,0 para pedregulhos e maior que 6,0 para areias, além de apresentar coeficiente de curvatura (Cc) entre 1,0 e 3,0. Para relembrar esses conceitos, aconselho que você leia nosso post sobre análise granulométrica do solo.
  2. A amostra possui mais que 12% de finos na composição: nesse caso, a classificação secundária será correlacionada com o posicionamento do solo na Carta de Plasticidade, que será a apresentada à frete. Por exemplo, para essa situação o solo pode ser SM (areia siltosa) ou GC (pedregulho argiloso), entre outros.
  3. A amostra possui entre 5% e 12% de finos: nessa situação, o solo terá que ser classificado tanto de acordo com sua granulometria, como de acordo com a Carta de Plasticidade. Por exemplo, SW-SC (areia bem graduada argilosa).

Solos de granulação fina

Então, como já comentamos anteriormente, caso mais de 50% da amostra passe pela peneira #200 (0,075 mm), o solo será considerado fino (M, C ou O).

Nessa situação, basta nos guiarmos pela Carta Casagrande, para classificarmos tal amostra de solo.

A Carta Casagrande, apresentada abaixo, nada mais é do que um gráfico que correlaciona o índice de plasticidade e limite de liquidez do solo com sua classificação. Para dar uma relembrada nesses conceitos, aconselho ler nosso post sobre limite de liquidez e limite de plasticidade!

Carta Casagrande

Carta Casagrande

Você pode perceber que além da característica primária (silte, argila ou orgânico), o solo é caracterizado por ter alta compressibilidade (H) ou baixa compressibilidade (L). Tal característica é definida através do limite de liquidez (LL).

Caso LL > 50%, o solo é dito de alta compressibilidade. Abaixo disso, de baixa compressibilidade.

Você pode se perguntar também: como vou saber se o solo é um silte ou orgânico?

Essa é basicamente uma constatação visual! Os solos orgânicos apresentam coloração mais escura e típica, às vezes até preta.

Pronto! Agora você já sabe classificar o solo através do Sistema Unificado!

Como prometido, abaixo segue um pequeno fluxograma para facilitar você na utilização desse sistema de classificação do solo! Clique na imagem para visualizá-la melhor =)

Fluxograma de classificação no Sistema Unificado

Fluxograma de classificação no Sistema Unificado

Classificação H.R.B.

O sistema de classificação dos solos Highway Research Board (H.R.B.) também se utiliza de dados da análise granulométrica, do limite de liquidez e do índice de plasticidade do solo.

Esse sistema de classificação é muito utilizado em obras de estradas.

Um parâmetro utilizado por esse sistema é o dito índice de grupo (IG). Tal parâmetro pode variar de valores entre 0,0 e 20,0.

Quanto mais próximo de zero, melhor é o solo para sua utilização em obras rodoviárias. O cálculo de IG pode ser feito de acordo com a formulação a seguir:

\mathrm{IG=0,2a+0,005ac+0,01bd}

Onde:

  • a = porcentagem passante da peneira #200 – 35 (\mathrm{0 \leq a \leq 40})
  • b = porcentagem passante da peneira #200 – 15 (\mathrm{0 \leq b \leq 40})
  • c = LL – 40 (\mathrm{0 \leq c \leq 20})
  • d = IP – 10 (\mathrm{0 \leq d \leq 20})

Classificação

Os solos são divididos em: A-1a, A-1b, A-3, A-2-4, A-2-5, A-2-6, A-2-7, A-4, A-5, A-6, A-7-5, A-7-6.

Calma, não precisa se assustar! Sei que são muitas subdivisões, mas para a correta classificação do solo, basta verificar alguns dados de granulometria e um gráfico que relaciona IP e LL, assim como a Carta Casagrande, porém feito especialmente para esse sistema de classificação dos solos.

Abaixo, como resumo, segue um quadro com as características necessárias para a classificação dos solos nesse sistema.

Classificação H.R.B.

Classificação H.R.B.

Entenda como “%P #X” a porcentagem de solo que passa pela peneira “X” no ensaio de granulometria!

Pronto! Agora só falta vermos o sistema trilinear.

Sistema trilinear

Esse sistema de classificação dos solos também é utilizado na engenharia rodoviária e também em Pedologia.

É tão simples quanto a classificação textural e também se utiliza apenas do ensaio granulométrico para a classificação do solo.

O diagrama está dividido em diversas zonas. Cada zona representa um tipo de solo.

Para a correta utilização do diagrama, basta seguir se utilizar das porcentagens de areia, argila e silte presentes no solo. A partir dessas porcentagens, utilize a orientação da “chave”, como ilustrado na figura abaixo.

Sistema trilinear de classificação dos solos

Sistema trilinear de classificação dos solos

 

Pronto, agora você já sabe classificar o solo por quatro sistemas diferentes!

Espero que esse post tenha sido útil e que você tenha aprendido tudo!

Mas, caso ainda tenha alguma dúvida, pode deixar nos comentários que vai ser um prazer responder. =)

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Até um próximo post!

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