Gerente de de projetos projetando redes

Entendendo o diagrama de redes do seu projeto

João Victor Construção Civil Deixe um Comentário

Antes de tomar forma dentro de um canteiro de obras, nossos projetos devem (em tese) ser amplamente estudados em escritório, onde todas as suas etapas construtivas e sequenciamento de atividades serão discutidos e apresentados por meio de diagramas entre as partes integrantes por sua realização bem como entre as partes interessadas por sua realização, externos à sua execução.

Há diversas formas de se efetuar o sequenciamento de atividade, podemos citar, por exemplo, o Gráfico de Gantt (Diagrama de Barras), o Diagrama de Setas (com ou sem escala), o Diagrama de Blocos e o Diagrama condicional (Graphical Evaluation and Review Technique – GERT). Essas técnicas trabalham com o mesmo princípio de ordenamento lógico de atividades: o diagrama de redes.

Entretanto, todas essas ferramentas fazem uso de termos estranhos ao senso comum. Então, nesse post traremos uma breve explicação sobre o diagrama de redes e explicaremos os termos mais utilizados durante a sua produção.

Separei também este vídeo explicando como encontrar o caminho crítico de um projeto. Dá uma conferida lá!

História do diagrama de redes no planejamento de projetos

Historicamente, gerenciar projetos de grande ou média complexidade com vista à redução no consumo de recursos e primando pela otimização do tempo por meio de ferramentas visuais representou uma das maiores mudanças de paradigmas gerenciais no século XX, transformando a arte de administrar em ciência da administração.

Hoje, para o melhor controle de nossas obras, lançamos mão de técnicas como o Program Evaluation and Review Technique (PERT) e o Critical Path Method (CPM), ou Método do Caminho Crítico, surgidos no final da década de 1950 e no início dos anos 1960. Finalmente, em 1964, surgiu o Diagrama de Precedências (MDP), desenvolvido por Roy no França. Basicamente, esse diagrama representou uma evolução das técnicas anteriores e, devido a sua simplicidade, tem consolidado sua disseminação até os dias de hoje em escritórios de projetos de pequeno, médio e grande porte.

Esse diagrama também é conhecido por diagrama neopert ou, finalmente, método do diagrama de redes e método francês. Portanto, compreender o funcionamento deste fluxograma gerencial é de suma importância para a determinação do PERT/CPM e para o sucesso de seu projeto!

Como funciona o diagrama de redes

O diagrama de redes representa o sequenciamento lógico-temporal dos elementos terminais de um projeto a serem concluídos, fazendo um estudo entre os elementos terminais e suas dependências – nada mais do que colocar todas as atividades a serem executadas uma obra e relacioná-las em uma folha de papel. Enquanto uma EAP nos oferece uma visualização do “todo” decomposto em “partes”, o Diagrama de Redes nos entrega uma visualização do “antes” e do “depois”, facilitando a identificação de limitações de trabalho, de modo a não possuir relações circulares ou redundantes entre cada atividade. Este método, por sua grande disseminação, possui diferentes formas de representação. As mais comuns são:

  • Método da Atividade em Flechas (AoA)
  • Método da Atividade em Nó (AoN)

Apesar dessas diferentes formas de representação, ambos trabalham de modo similar e possuem elementos comuns à sua interpretação. Vamos, agora, conhecer alguns desse elementos.

Elementos do diagrama de redes e formas de representação

Finalmente, vamos entender quais são cada um dos elementos que podem compor quaisquer dos tipos de diagramas que mencionamos acima. Importante lembrar que alguns dos elementos abaixo não são exclusivos a todos os tipos de representação do Método do Diagrama de Precedências (MDP).

1) Diagrama da Atividade em Setas (ou Flechas) ou AoA:

O método das Setas (MDS) usa somente dependências do tipo Término-para-Início e pode exigir o uso de relacionamentos “fantasmas”. Nessa representação, o cronograma do projeto usa setas para representar atividades e as conecta nos nós para demonstrar suas dependências.

Diagrama de Rede - Representação AoA

Diagrama de Rede – Representação AoA

2) Diagrama de Atividade no Nó ou AoN:

Como grande parte dos métodos já citados, o MDP foi elaborado inicialmente para fins militares. A Marinha Americana desejava o uso de um método mais flexível e que ao mesmo tempo resolvesse a necessidade do uso de atividades fantasmas.

Diagrama de Rede - Representação AoN

Diagrama de Rede – Representação AoN

3) Atividade Fantasma (Dummy):

São representadas por setas pontilhadas.

Representação de uma atividade fantasma

Representação de uma atividade fantasma

A atividade fantasma é um recurso para a montagem de redes em diagramas que utilizam o MDS, simbolizando atividades fictícias. Esse recurso surgiu para contornar problemas de representação entre atividades e definir corretamente todos os relacionamentos lógicos, desprovidos de conteúdo de trabalho. Como não são atividades reais do cronograma, possuem duração nula e consumo de recursos inexistente.

Como mencionado, o no Diagrama de Precedências não existe atividade fantasma. Observe o comparativo abaixo entre cinco atividades.

Comparativo entre Diagramas de setas e Diagrama de nós

Comparativo entre Diagramas de setas e Diagrama de nós

4) Nó (evento):

Representa a situação em que todas as atividades predecessoras estão completas e todas as sucessoras podem ser iniciadas. É o elo entre atividades interdependentes.

5) Predecessora:

Uma atividade que, de acordo com a lógica, vem antes de uma atividade que depende da mesma, em um cronograma. Atividades que têm várias predecessoras indicam uma convergência de caminhos.

6) Sucessora:

É uma atividade dependente que logicamente vem depois de outra atividade em um cronograma. Atividades que têm várias sucessoras indicam uma divergência de caminhos. Atividades com divergência e convergência têm maior risco, pois são afetadas ou podem afetar várias atividades.

7) Duração:

É o tempo estimado que uma atividade considerada leva para sua conclusão, considerando-se, além das datas de início e fim, os possíveis imprevistos. Há diversas técnicas para estimar as durações de atividades em gerenciamento de projetos, algumas, inclusive, tratam as oscilações em relação ao tempo de execução das atividades por meios probabilísticos, utilizando cenarização e distribuição Beta.

8)  Folga livre:

É a quantidade de tempo que uma atividade pode atrasar sem atrasar as atividades sucessoras.

9) Folga total:

É a quantidade de tempo que uma atividade pode atrasar sem atrasar a data do projeto.

Gostaria de chamar atenção para um ponto importante: o caminho crítico é normalmente caracterizado por uma folga total igual a zero em suas atividades. Quando implementados com sequenciamento do MDP, os caminhos críticos podem ter uma folga total positiva, igual a zero ou negativa, dependendo das restrições aplicadas.

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A intenção do post não é aprofundar na parte técnica, mas –  a título de curiosidade –  saiba que a folga total positiva é causada quando o caminho de volta é calculado a partir de uma restrição do cronograma que é mais tarde que a “data de término mais cedo” que foi calculada durante o cálculo do caminho de ida. A folga total negativa é causada quando uma restrição nas “datas mais tarde” é violada pela duração e lógica. A análise de folga negativa é uma técnica que ajuda a encontrar possíveis formas aceleradas de colocar um cronograma atrasado de volta aos trilhos.

10) Folga do projeto:

É a quantidade de tempo que o projeto pode atrasar sem que atrase a data de entrega imposta pelo cliente.

11) Caminho crítico:

A ordem de realização de tarefas, em um cronograma, é denominada “caminho”. O caminho crítico, por sua vez, é a sequência de atividades que representa o caminho mais longo de um projeto, que determina a sua menor duração possível. O caminho mais longo tem a menor folga total—geralmente zero. Cuidado com isso, pois é muito encontrar engenheiros afirmando que a folga total do caminho crítico de um projeto é “sempre zero”, e isso é um erro!

Ademais, as datas resultantes de início e término mais cedo e início e término mais tarde não são necessariamente o cronograma do projeto, mas sim uma indicação dos períodos de tempo dentro dos quais a atividade poderia ser executada, usando os parâmetros inseridos no modelo do cronograma para durações de atividades, relações lógicas, antecipações, esperas, e outras restrições conhecidas.

Diagrama de Redes com representação do caminho crítico

Diagrama de Redes com representação do caminho crítico

Além disso, as redes do cronograma podem ter múltiplos caminhos quase críticos.

12) Tipos de Relacionamentos:

O desenvolvimento do MDP tem por base uma lista de atividades previamente estabelecida, na qual o profissional responsável por montá-lo analisará a Estrutura Analítica de Projetos (EAP), o dicionário da EAP, bem como as demais atividades que julgar necessárias para o sucesso do projeto. Em diagramas de rede podemos visualizar quatro tipos de relacionamento:

  1. Término para Início – Esse é o tipo de relacionamento mais comum no setor da Construção Civil. Para que uma atividade sucessora se inicie é necessário que a seu predecessor, de quem depende, seja finalizada. Conforme explica o Project Management Body of Knowledge (PMBOK), trata-se de um relacionamento lógico em que uma atividade sucessora não pode começar até que uma atividade predecessora tenha terminado. Um exemplo simples seria o processo de concretagem de pilares (sucessora), o qual depende sumariamente da prévia montagem de fôrmas (predecessora).
Relação Término-para-Início

Relação Término-para-Início

  1. Início para Início (II) – Um relacionamento lógico em que uma atividade sucessora não pode ser iniciada até que uma atividade predecessora tenha sido iniciada. Por exemplo, o nivelamento do concreto (sucessora) não pode ser iniciado até que a colocação da fundação (predecessora) seja iniciada.
Relacionamento tipo Início-para-Início

Relacionamento tipo Início-para-Início

  1. Término para Término (TT) – Um relacionamento lógico em que uma atividade sucessora não pode terminar até que a atividade predecessora tenha terminado. Existem atividades (sucessoras) que somente cessam quando igualmente houverem cessados os recursos (predecessoras), por exemplo, de modo que sua continuidade seja vinculada – uma somente termina quando outra também terminar.
Relacionamento do tipo Término-para-Término

Relacionamento do tipo Término-para-Término

  1. Início para Término (IT) – De acordo com o PBMOK 6ª edição, trata-se de um relacionamento lógico em que uma atividade sucessora não pode ser terminada até que uma atividade predecessora tenha sido iniciada. Por exemplo, um novo sistema de contas a pagar (sucessor) tem que começar antes que o velho sistema de contas a pagar (predecessor) possa ser desativado.
    Relacionamento do tipo Início-para-Término

    Relacionamento do tipo Início-para-Término

    Este último relacionamento MDP é um dos mais raros de se encontrar em projetos da Construção Civil.

    Duas atividades podem ter dois relacionamentos lógicos ao mesmo tempo (por exemplo, II e TT). Vários relacionamentos entre as mesmas atividades não são recomendáveis, assim, uma decisão tem que ser tomada para escolher o relacionamento de mais alto impacto. Ciclos fechados tampouco são recomendados em relacionamentos lógicos.

13) Tipos de Dependência

Por fim, vamos comentar sobre os tipos de dependência me um MDP. A dependência tem quatro atributos, mas dois podem ser aplicáveis ao mesmo tempo das seguintes maneiras: dependências externas obrigatórias, dependências internas obrigatórias, dependências externas arbitradas, ou dependências internas arbitradas.

  1. Dependência Obrigatória – As dependências obrigatórias são as exigidas legal ou contratualmente ou inerentes à natureza do trabalho. As dependências obrigatórias frequentemente envolvem limitações físicas, tais como num projeto de construção onde é impossível erguer a superestrutura antes que a fundação tenha sido concluída.
  2. Dependência Arbitrada – As dependências arbitradas às vezes são chamadas de lógica preferida, lógica preferencial ou “soft logic”. As dependências arbitradas são estabelecidas com base no conhecimento das melhores práticas numa área de aplicação específica ou em algum aspecto singular do projeto onde uma sequência específica é desejada, mesmo que haja outras sequências aceitáveis. Por exemplo, práticas recomendadas geralmente aceitas especificam que, durante uma construção, o trabalho elétrico comece depois de terminar o trabalho de encanamento. Esta ordem não é obrigatória e ambas as atividades podem ocorrer ao mesmo tempo (em paralelo), mas realizar as atividades em ordem sequencial reduz o risco geral do projeto.
  3. Dependência Externa – As dependências externas envolvem um relacionamento entre as atividades do projeto e as não pertencentes ao projeto. Tais dependências normalmente não estão sob o controle da equipe do projeto.
  4. Dependência Interna – As dependências internas envolvem uma relação de precedência entre as atividades do projeto e estão geralmente sob o controle da equipe do projeto.

 

Bem, espero que este post tenha contribuído para o seu aprendizado. Busquei te apresentar os termos mais usados em Gerenciamento de Projetos no que tange a parte de gerenciamento de cronograma. Em momento mais oportuno pretendo trazer abordagens mais técnicas como o cálculo do Caminho Crítico, a montagem de uma EAP, montagem do seu MDP, considerações sobre tailoring trazidas pelo PMBOK 6ª ed. e muito mais!

Não esqueça também de assistir ao meu vídeo abaixo explicando como encontrar o caminho crítico de um projeto. Abraços!

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