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Elementos usuais em coberturas de madeira

Hoje, trataremos sobre os componentes mais usuais em coberturas de madeira; abordando as principais terminologias adotadas e conhecendo as funções de cada um dos elementos.

Esse é um assunto bastante tranquilo, te garanto. Além disso, o intuito não é aprofundar nos aspectos técnicos, mas sim familiarizar você às nomenclaturas adotadas.Portanto, garanto a você que a leitura será bem leve e de fácil entendimento. Certinho?

Introdução

De acordo com Moliterno (2010), o telhado compõe-se de duas partes principais

a) Cobertura: A cobertura pode ser de telhas cerâmicas, telhas de concreto (planas ou capa e canal) ou de chapas onduladas de fibrocimento, aço galvanizado, madeira aluminizada, PVC e fiberglass.

b) Armação: Corresponde ao conjunto de elementos estruturais para sustentação da cobertura; ou seja, temos elementos tais como: ripas, caibros, terças, tesouras e contraventamentos.

A superfície do telhado pode ser formada por um ou mais planos (uma água, duas águas, quatro águas ou múltiplas águas) ou por uma ou mais superfície curvas (arco, cúpula ou arcos múltiplos).

Ou seja, as coberturas podem ser construídas nos mais diferentes formatos, dando origem a diversos tipos de coberturas.

Tipos de coberturas
Tipos de coberturas

Partes de coberturas

Pode-se dizer que a cobertura é subdividida em quatro principais partes: pelas telhas; pela trama, que sustenta o telhado; pela estrutura vertical de sustentação da trama (treliça ou tesoura); pelo sistema de contraventamento que confere à estrutura a capacidade de absorver as ações horizontais atuantes, mantendo a estabilidade do conjunto.

De acordo com Calil (2010), as partes de uma cobertura podem ser definidas de acordo com os itens apresentados a seguir:

Água: superfície plana de um telhado;

Água Mestra: nos telhados retangulares de quatro águas, é o nome que se dá às duas águas de forma trapezoidal. Além disso, as duas outras águas triangulares são chamadas de caniças;

Beiral: projeção do telhado para fora do alinhamento da parede;

Cumeeira: aresta horizontal na parte mais alta do telhado; portanto, é delimitada pelo encontro entre duas águas;

Espigão: aresta inclinada formada pelo encontro de duas águas, formando um ângulo saliente. Ou seja, é um divisor de águas;

Rincão: aresta inclinada e reentrante formada pelo encontro de duas águas. Por isso, também chamada de “água furtada”;

Sistemas estruturais das coberturas de madeira: Terminologias

As estruturas de apoio dos telhados são definidas pelas características das telhas adotadas. Mesmo assim são vários os sistemas estruturais possíveis de serem escolhidos para fazerem parte do sistema de cobertura. As estruturas das coberturas são usualmente divididas em trama, estrutural principal e contraventamento (CALIL, 2010).

Fonte: Moliterno (2002)
Fonte: Moliterno (2002)

Vamos, então, compreender cada um desses elementos.

TRAMA

1) RIPAS: São os elementos responsáveis pelo suporte direto das telhas, e que se apoiam sobre os caibros. Além disso, o espaçamento entre as ripas, normalmente denominada “galga”, depende do tipo e tamanho das telhas usadas.

2) CAIBROS: Os caibros são peças de seção aproximadamente quadrada que sustentam as ripas e são apoiadas sobre as terças. Além disso, o espaçamento dos caibros depende do tipo de telhas usado e da resistência das ripas, varia entre 40 e 60 cm, sendo comum utilizar 50 cm, sem qualquer cálculo.

3) TERÇAS: Viga de madeira apoiada sobre as tesouras ou sobre paredes para a sustentação dos caibros. Ou seja, basicamente, são vigas de madeira, solicitadas à flexão oblíqua, apoiadas sobre paredes ou sobre a estrutura principal da cobertura.

OBS:

Ao conjunto formado pelas ripas, caibros e terças, dá-se o nome de trama. A trama é a parte da estrutura da cobertura que forma uma superfície paralela àquela formada pelo telhado. Usualmente, tem a função de sustentar as telhas, mas em alguns casos pode não ser necessária.

Fonte: MILITO (2006)
Fonte: MILITO (2006)

 

TESOURA

De acordo com Moliterno (2002), uma tesoura é uma Viga principal em treliça ou viga-mestra, que serve para transferir o carregamento do telhado aos pilares ou paredes da edificação.

Fonte: MILITO (2006)
Fonte: MILITO (2006)

4) CUMEEIRA: Terça da parte mais alta do telhado.

5) Contrafrechal: Terça da parte inferior do telhado.

6) Frechal: Viga de madeira colocada em todo o perímetro superior da parede de alvenaria de tijolos (respaldo), para amarração e distribuição da carga concentrada da tesoura. Ou seja, é colocada sobre a parede e sob a tesoura, para distribuir a carga do telhado.

7) Perna: Peças de sustentação da terça, indo do ponto de apoio da tesoura do telhado ao cume; geralmente trabalham à compressão.

8) Linha: Peça que corre ao longo da parte inferior de tesoura e vai de apoio a apoio; geralmente trabalham à tração.

9) Estribo: São ferragens que garantem a união entre as peças das tesouras. Além disso, podem trabalhar à tração ou cisalhamento.

10) Pendural e tirante: Peças que ligam a linha à perna e se encontram em posição perpendicular ao plano da linha. Denomina-se pendural quando a sua posição é no cume, e nos demais tirante. Além disso, geralmente trabalham à tração.

11) Asna e escoras: São peças de ligação entre a linha e a perna, encontram-se, geralmente, em posição oblíqua ao plano da linha; denomina-se asna a que sai do pé do pendural, as demais de escoras. Além disso, geralmente trabalham à compressão.

Palavras Finais

Bem, por enquanto vamos resumir nosso assunto aos elementos citados acima. Além disso, em outros artigos, trarei tópicos específicos acerca dos métodos construtivos e cuidados necessários que devemos ter em relação a cada um desses elementos.

Portanto, caso você tenha alguma dúvida ou sugestão, deixa ai embaixo que eu ficarei feliz em te responder. Então, por ora, deixo aqui meu grande abraço!

 

REFERÊNCIA:

MOLITERNO, A. Caderno de projetos de telhados em estruturas de madeira. Revisão de Reyolando Manoel L. R. da Fonseca Brasil. 4. ed. rev. São Paulo: Blücher, 2010

CALIL JUNIOR.; C.; MOLINA, J.C. Coberturas em estruturas de madeira: exemplos de cálculo. 1. ed. São Paulo: Pini, 2010

LOGSDON, N. B. Elementos de Estruturas de Madeira, Sob a Ótica da NBR 7190/1997. Faculdade de Engenharia Florestal (FENF). Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Cuiabá, MT. 2002.

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