Instalações sanitárias: ventilação de esgoto predial

Dandara Viana Construção Civil

Você por acaso sabe diferenciar a ventilação primária da secundária em uma instalação sanitária predial?

Se não sabe, então você está no lugar certo!

Esse é o segundo post da coletânea sobre Instalações Sanitárias que estamos preparando e, nele, iremos lhe mostrar os componentes do subsistema de ventilação de esgoto sanitário predial, bem como as instruções técnicas para o correto uso desses componentes, de acordo com a ABNT NBR 8160/1999.

Caso queira ver o post anterior sobre o subsistema de coleta e transporte de esgoto sanitário predial, clique aqui!

Vamos lá, então?

Componentes do subsistema de ventilação de esgoto sanitário predial

O subsistema de ventilação de esgoto sanitário predial é composto por duas formas de ventilação: a primária e a secundária.

A princípio, pode parecer confuso diferenciar esses dois tipos de ventilação.  Mas não se preocupe, abaixo iremos estudar individualmente cada um desses tipos.

Antes disso, vale lembrar que o projeto desse subsistema deve ser feito de modo a impedir o acesso de esgoto sanitário ao interior do mesmo.

Exemplo de um sistema de ventilação composto por ventilação primária e secundária.

Exemplo de um sistema de ventilação composto por ventilação primária e secundária

Ventilação primária

A ventilação primária nada mais é do que aquela que permite que o ar que escoe pelo interior do tubo de queda, o qual é prolongado até a atmosfera para a liberação dos gases provenientes do esgoto.

Pois bem, agora que já sabemos o que é ventilação primária, precisamos conhecer as recomendações da NBR 8160:1999 – Sistemas prediais de esgoto sanitário para a correta execução desse subsistema.

Vejamos essas recomendações a seguir:

Instruções técnicas importantes

Para começarmos, devemos saber que a ventilação do esgoto sanitário pode se dar de duas formas: primária e secundária, conjuntamente, ou somente a primária.

Para os casos de ventilação composta apenas de primária, deve ser verificada a suficiência da ventilação primária prevista (veremos essa verificação em outro post). E, caso a primária não seja suficiente, podem ser adotadas as seguintes medidas:

  • Alterar as características geométricas do subsistema de coleta e transporte, devendo-se, em seguida, verificar novamente a suficiência da ventilação primária;
  • Ou prover ventilação secundária.

Prolongamento do tubo de queda

Uma recomendação muito importante acerca da ventilação primária diz respeito à disposição do prolongamento do tubo de queda.

Segundo a norma, a extremidade aberta do tubo de queda deve estar situada acima da cobertura do edifício a uma distância mínima que impeça a entrada de águas pluviais que escoam pelo do telhado ou pela laje.

Além disso, a disposição da extremidade aberta de um tubo primário deve obedecer às seguintes recomendações:

  • A distância mínima permitida da abertura do tubo a qualquer janela, porta ou vão de ventilação é de 4m, exceto se for elevada pelo menos 1m das vergas dos respectivos vãos;
  • A altura mínima da abertura do tubo à cobertura é de 2m, no caso de laje utilizada para outros fins além de cobertura; caso contrário, esta altura mínima é reduzida para 0,30m;
  • Quando for aparente, a abertura do tubo deve ser devidamente protegida contra acidentes que possam danificá-la;
  • A abertura deve também ser provida de terminal tipo chaminé, tê ou outro dispositivo que impeça a entrada direta de águas pluviais.
 Prolongamento do tubo de queda.

Prolongamento do tubo de queda.

Ventilação secundária

Pois bem, até aqui já foi possível percebermos que a ventilação secundária é destinada a complementar a primária, quando esta não é suficiente.

Em termos técnicos, a ventilação secundária é a aquela proporcionada pelo ar que escoa pelo interior de colunas, ramais ou barriletes de ventilação. Em outras palavras, é a aquela em que o ar escoa exclusivamente pelo interior de tubulações de circulação de ar.

Dessa forma, a secundária consiste, basicamente, em:

  • Ramais e colunas de ventilação que interligam os ramais de descarga ou de esgoto à ventilação primária;
  • Ramais que são prolongados acima da cobertura;
  • Ou dispositivos de admissão de ar devidamente posicionados no sistema (figura abaixo).
Dispositivos de admissão de ar.

Dispositivo de admissão de ar

Instruções técnicas importantes

Agora que já sabemos o que é a secundária, iremos continuar a conhecer as recomendações da NBR 8160:1999 para a correta execução do subsistema de ventilação secundária.

Alinhamento vertical

A coluna de ventilação secundária deve ser vertical e, sempre que possível, instalada em uma única prumada.

No entanto, quando isso não for possível, as mudanças de direção devem ser feitas mediante curvas de ângulo central de até 90°, com um aclive mínimo de 1%.

Mudança de direção de uma coluna de ventilação.

Mudança de direção de uma coluna de ventilação (azul)

Desvio do tubo de queda

Já no caso dos desvios de tubo de queda que formam um ângulo maior que 45° com a vertical, deve ser prevista ventilação secundária de acordo com as seguintes alternativas:

  • Considerar o tubo de queda como dois tubos independentes, um acima e outro abaixo do desvio;
  • Fazer com que a coluna de ventilação secundária acompanhe o desvio do tubo de queda, conectando o tubo de queda à coluna de ventilação, através de tubos ventiladores de alívio, acima e abaixo do desvio.

Caso não tenha ficado claro, observe a imagem abaixo.

Desvio de tubo de queda.

Desvios de um tubo de queda

Distância máxima de um desconector ao tubo ventilador

Em prédios de um só pavimento, deve existir pelo menos um tubo ventilador ligado diretamente a uma caixa de inspeção ou ao coletor predial, subcoletor ou ao ramal de descarga de um vaso sanitário e prolongado até acima da cobertura desse prédio.

Para essa situação, é necessário realizar a ligação de todos os desconectores a um elemento ventilado, seja o tudo ventilador primário ou um ramal de ventilação, respeitando as distâncias máximas indicadas na tabela 1 abaixo.

Tabela 1 – Distância máxima de um desconector ao tubo ventilador

Distância máxima de um desconector ao tubo ventilador

Dispensa do prolongamento do tubo de queda

Você sabia que nem todos os tubos de queda de uma edificação precisam ser prolongados até a cobertura?

Pois bem, nos prédios cujo sistema predial de esgoto sanitário já possui pelo menos um tubo ventilador primário de 100mm, fica dispensado o prolongamento dos demais tubos de queda até a cobertura, desde que estejam atendidas as seguintes condições:

  • O comprimento do tubo deve ser de até 1/4 da altura total do prédio;
  • O tudo deve receber até 36 unidades de Hunter de contribuição (UHC, tabela 2);
  • O tudo deve ter coluna de ventilação secundária prolongada até acima da cobertura ou em conexão com outra existente, respeitados os limites da tabela 2 abaixo.

Se por acaso você esteja agora mesmo se perguntando o que é unidade Hunter, eu te digo: é um valor numérico que representa a contribuição considerada em função da utilização habitual de cada tipo de aparelho sanitário.

Tabela 2 –  Dimensionamento de colunas e barriletes de ventilação em função do diâmetro do tubo de queda e da contribuição

 Dimensionamento de colunas e barriletes de ventilação.Características da ventilação secundária

Toda tubulação de ventilação deve ser instalada com aclive mínimo de 1%, de modo a impedir que entre qualquer líquido entre pela tubulação.

Além disso, toda coluna de ventilação deve ter:

  • Diâmetro uniforme;
  • A extremidade inferior ligada a um subcoletor ou a um tubo de queda, em ponto situado abaixo da ligação do primeiro ramal de esgoto ou de descarga, ou no próprio ramal de esgoto ou de descarga;
  • A extremidade superior situada acima da cobertura do edifício;
  • Ou a extremidade ligada a um tubo ventilador primário a no mínimo 15 cm acima do nível de transbordamento da água do mais elevado aparelho sanitário por ele servido, conforme imagem abaixo.
Ligação de ramal de ventilação.

Ligação de ramal de ventilação

Ligações da coluna de ventilação

As ligações da coluna de ventilação aos demais componentes do sistema de ventilação ou do sistema de esgoto sanitário devem ser feitas com conexões apropriadas, vejamos as recomendações:

a) Ligação de uma tubulação vertical: deve ser executada por meio de junção a 45°;

b) Ligação de uma tubulação horizontal: deve ser executada acima do eixo da tubulação, elevando-se o tubo ventilador de uma distância de no mínimo 15 cm acima do nível de transbordamento da água do mais elevado dos aparelhos sanitários por ele ventilado, antes de ligar-se a outro tubo ventilador, respeitando as recomendações abaixo:

Tubulação horizontal (azul) e tubulação vertical (verde).

Tubulação de ventilação horizontal (azul) e tubulação de ventilação vertical (verde)

  • A ligação ao tubo horizontal deve ser feita por meio de tê 90° ou junção 45°;
  • Quando não houver espaço vertical para a solução anterior, podem ser adotados ângulos menores, com o tubo ventilador ligado somente por junção 45° ao respectivo ramal de esgoto e com seu trecho inicial instalado em aclive mínimo de 2%;
  • A distância entre a saída do aparelho sanitário e a inserção do ramal de ventilação deve ser igual a no mínimo duas vezes o diâmetro do ramal de descarga.

Ventilação do ramal de descarga do vaso sanitário 

Quando não for possível ventilar o ramal de descarga do vaso sanitário ligado diretamente ao tubo de queda (atentar para as distâncias máximas da tabela 1), este deve ser ventilado imediatamente abaixo da ligação do ramal do vaso sanitário, conforme imagem abaixo.

Ventilação do tubo de queda.

Ventilação do tubo de queda

Já se esse mesmo ramal de descarga possuir até 2,40m de comprimento, sua ventilação é dispensada com a condição de que o tubo de queda receba, do mesmo pavimento, imediatamente abaixo, outros ramais de esgoto ou de descarga devidamente ventilados, conforme mostrado na figura abaixo.

Dispensa de ventilação de ramal de descarga de bacia sanitária.

Dispensa de ventilação de ramal de descarga de vaso sanitário

Tubo ventilador de circuito

Já se houver vários vasos sanitários instalados em série, esses aparelhos devem ser ventilados por um tubo ventilador de circuito ligando a coluna de ventilação ao ramal de esgoto na região entre o último e o penúltimo vasos sanitários, conforme indicado na figura a seguir.

 Ventilação em circuito.

Ventilação em circuito

Tubo ventilador suplementar

Ainda para a situação acima, deve ser previsto um tubo ventilador suplementar a cada grupo de no máximo oito vasos sanitários, contados a partir da mais próxima ao tubo de queda, conforme imagem anterior.

O tubo ventilador suplementar deve ser usado também em outra situação: quando o ramal de esgoto servir a mais de três vasos sanitários e houver aparelhos em andares superiores descarregando no tubo de queda.

Neste caso, o tubo suplementar liga o tubo ventilador de circuito ao ramal de esgoto na região entre o tubo de queda e o primeira vaso sanitário.

Então pessoal, esses foram alguns dos elementos do subsistema de ventilação de esgoto sanitário predial. Esperamos que este post tenha lhe ajudado.

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Ah, se quiser aprender a dimensionar as tubulações de esgoto predial, clique aqui.

E se ainda ficou com alguma dúvida, comente aqui embaixo.

Comments 14

  1. Boa noite! Quando você fala que se houver pelo menos um tubo de ventilação primária de 100mm não se torna necessária a prolongação dos demais tubos de queda, gostaria de saber se essa ventilação de 100mm é proveniente de um tubo de queda ou se faz referência a uma coluna de ventilação secundária.

    Desde já, obrigada!

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  2. “Pois bem, até aqui já foi possível percebermos que a ventilação secundária é destinada a complementar a primária, quando esta não é suficiente.”
    Pois bem, quando ela não é o suficiente?
    Na norma existe um monte de cálculos para determinar se a ventilação primária é ou não suficiente, mas nos meus muitos anos de construção e projetos nunca consegui encontrar um profissional que soubesse fazer esses cálculos.
    O que vejo é todos os profissionais de construção e projeto adotando a coluna de ventilação secundária, com medo de errar.
    E com mais medo de errar, se recusam a adotarem o uso da VAA que já faz parte da NBR.

  3. Alô Dandara

    Estou reformando um apartamento e por questões de estrutura, sou obrigado a ligar a saida da pia diretamente à coluna de esgotos. Há algum problema nisso?

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      Oi Moyses
      Se for a pia da cozinha, tem problema, pois você deve prever caixa de gordura, já se for o lavatório do banheiro, creio que não.

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      Oi Dani, barrilete de ventilação é uma tubulação horizontal destinada a receber dois ou mais tubos ventiladores e possui saída para a atmosfera, já o ramal de ventilação é um tubo que liga o esgoto à coluna de ventilação e não necessariamente precisa ser horizontal.

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  4. O vaso sanitário do meu banheiro ficou seco e sei que há um apartamento no segundo andar está em obras. Moro no 6 andar e depois que esta obra começou tive este problema. Pode haver uma ligação desta obra como meu problema? Obrigada

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      Apenas com essa informação é difícil saber. Então, veja se os vizinhos dos pavimentos abaixo ao seu estão tendo o mesmo problema. Mas saiba que a má execução da ventilação da sua instalação sanitária ou a ausência dela pode provocar a ruptura do fecho hídrico do seu vaso sanitário por aspiração ou compressão.

  5. preciso colocar ventilação em ramais que não ligação com o ramal primário? só após a caixa de inspeção

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      Eduardo, não sei se entendi muito bem a sua dúvida. Mas tendo em mente que a função principal da ventilação é evitar que gases fétidos da rede pública ou da fossa séptica adentrem nossa edificação, o ramal de ventilação deve ser ligado ao esgoto primário, ou seja, após a caixa sifonada (considerando o sentido do escoamento), respeitando a distância máxima dada em norma.

  6. Preciso colocar um tubo de ventilação na rede de esgoto do sanitário em minha residência! minha dúvida é, qual melhor local para colocar o cano de ventilação? pois o meu pedreiro já colocou todo piso na casa.

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